quarta-feira, 1 de julho de 2015

Nojo define: misoginia e violência de gênero disfarçadas em piada.

Essa imagem anda circulado nas redes sociais. Sendo montagem ou não, é extremamente misógino.


Isso passa longe de realmente ser uma crítica à realidade política do país ou à conduta da chefe do Executivo. 
Isso é a mais cruel demonstração de como a sociedade brasileira trata as suas mulheres. Sempre que quer deslegitimar uma, tem que partir para ofensas sexuais e até mesmo agressões reais de cunho sexual. Além do fato de ser um grande desrespeito com uma senhora, que por acaso é chefe de Estado.
Dificilmente você veria tamanho despautério com uma figura masculina, mesmo que fosse o presidente mais impopular da história do Brasil. Por que será?


Não, isso não é uma simples piada, e tão pouco é engraçado. Isso é demonstração de ódio de gênero, isso é uma face da cultura do estupro que é uma realidade cultural cruel existente nesse país(visto que o maquinário que abastece o carro faz menção a um objeto fálico que está sendo introduzido vcs sabem bem onde).


É interessante observar, que muitos que acham graça desse absurdo, são os mesmos que desejam intervenção militar e até mesmo a volta da ditadura. O que é um contrassenso, porque numa realidade de estado de exceção, quem ousasse fazer algo do tipo com a imagem do Presidente da República, na melhor das hipóteses iria passar um tempo no xilindró.

Se colocar contra esse atitude grotesca, misógina e machista não é o mesmo que ser defensor das políticas do PT, ser adorador da Dilma ou como gostam de falar por aí, ser petralha. E ter o mínimo de bom senso e enxergar que isso não é uma simples brincadeira, e sim uma das faces da violência de gênero e perpetuação da cultura do estupro.

Por fim, eu ainda sou um pouco ingênua ao acreditar na possibilidade de que algumas pessoas não percebem a clara alusão ao estupro, à desumanização e falta de empatia com as mulheres. Pois se coloca as genitais femininas como receptoras de qualquer objeto fálico, inclusive bombas de gasolina. Emoticon gasp


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre minha experiência em universidades públicas antes e depois do sistema de cotas.

                 Resolvi divagar sobre a minha experiência em universidades públicas antes e depois das cotas raciais e sociais. Quando cursei História na UFRJ, que não adotava o sistema de cotas, eu via poucos negros pelos seus corredores, e apesar de não ser um curso de elite, com o vestibular mais concorrido como medicina e direito, era estranho perceber que suas vagas eram em maioria ocupadas por pessoas com condições de vida razoáveis e de pele clara, enquanto as universidades privadas estavam lotadas de alunos que necessitavam trabalhar para pagar a mensalidade e garantir sua formação superior. Ou seja, o pobre não tinha acesso a universidade pública, os que chegavam lá, eram exceções. Atualmente, todas as universidades federais adotaram o sistema de cotas, e acredito que essa realidade está mudando. 


                Agora curso Direito na Uerj, vejo mais negros lá que no que meu antigo curso de História na federal, mas ainda somos minoria. Porém, o mais interessante é observar os quadros com fotos de formandos. Nos corredores da faculdade de Direto, podem ser observados quadros enormes com fotos de formandos do curso ao longo dos anos. Até a década de 50 é ausente a presença de mulheres e negros. Na década de 60 percebemos algumas mulheres e negros praticamente ausentes. Na década de 70 o número de mulheres aumenta e negros continua praticamente ausente. Década de 80 até 2008 mulheres quase em quantidade igual aos homens e meia dúzia ou menos de negros em cada quadro de formando. De 2008 em diante (primeiras turmas que se formaram após o sistema de cotas)o número de negros aumentou visivelmente, mas continuam sendo a minoria. 
              É agradável ver quadros mais coloridos, com pessoas de tez de pele de todo tipo se formando, pois afinal de contas, a universidade é pública, é sustentada por todos nós, e nada mais justo que todos tenham acesso. É uma aberração ver quadros com fotos de formandos de 10 anos atrás praticamente sem negros. As cotas são necessárias e incomodam, porque agora os excluídos socialmente podem concorrer a vagas no mercado tradicional, que confortavelmente eram ocupadas por membros da classe média branca em sua grande maioria. Os historicamente excluídos agora podem concorrer a vagas que influenciam a sociedade, que mexem com as estruturas, que têm o poder... e acredito q isso deve causar muito medo em quem sempre esteve lá sem ser importunado.

PS: É bom sempre lembrar, as cotas não são somente raciais, mas também sociais. Não basta apenas ser negro, tem que está dentro de um certo limite de renda para poder concorrer pelo sistema de cotas.




Formandos Direito Uerj 1977.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Educação e Cibrecultura.

          Há alguns anos fiz uma disciplina na Uerj sobre educação muito interessante. O nome da eletiva era Educação e Cibercultura, e tratava sobre a nova realidade da sala de aula, na qual encontramos uma clientela, conectada à web, aos aparelhos eletrônicos, aos celulares e computadores cada vez mais modernos. Sendo assim, o modelo tradicional de escola, o qual já se encontra ultrapassado a décadas, se encontra cada vez mais incompatível com a nova realidade e exigências do corpo discente.          

        Essa incompatibilidade é um dos motivos que dificultam o diálogo entre professor e aluno em sala de aula. Além  dos fatores externos que nós professores conhecemos muito bem, como a falta de estrutura familiar, pais ausentes, crianças e adolescentes sem parâmetros, falta de apoio da direção e equipe pedagógica da escola e outros fatos que influenciam nas relações dentro e fora da sala de aula.          

         Enfim, resolvi compartilhar o meu trabalho realizado nessa matéria, e deixo o link com os trabalhos dos demais colegas que  cursaram comigo. Também tem no corpo do texto uma pequena bibliografia sobre o tema, pra quem tiver interesse em se aprofundar no assunto. A faculdade de pedagogia da Uerj oferece cursos de pós graduação lato sensu e stricto senso sobre o assunto.





UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro
http://cibercultura-mt.blogspot.com.br/


Primeira avaliação presencial da disciplina Educação e Cibercultura
Faculdade de Educação
Profº: Marco Silva

Questão 1:
Caracterize os três princípios da cibercultura, segundo Lemos & Lévy.

Segundo Lemos e Lévya a cibercultura trás uma nova configuração social, cultural, comunicacional e política. Tal configuração vem acompanhada de três princípios básicos da cibercultura, que são: a liberação da emissão, conexão generalizada e reconfiguração social. (Lemos e Lévy, 2010. p.45)
A liberação da emissão é a “emergência de vozes e discursos anteriormente reprimidos na edição da informação pelos mass media[1], ou seja,   agora não estamos mais limitados a condição de espectador-receptor e passamos a ocupar um espaço de  emissor além de receptor através da liberação da voz. Trata-se da liberação da emissão para os que antes só receptavam informação através das mídias de massa sem a possibilidade de interação, discussão e/ou interceptação pelo, até então, expectador dessas mídias como TV, jornal, rádio entre outros. É a libertação do pólo de emissão de informação que agora pode partir de qualquer um que esteja conectado a essa liberação da comunicação através do ciberespaço, comunicação esta que não mais pertence somente às massas homogenias de comunicação, como ocorria até então, fazendo com que a comunicação seja de todos e para todos, onde o indivíduo pode ocupar duas posições: a de emissor de informação e também a de receptor de informação de outrem. 
          A conexão generalizada é o princípio de que tudo está na rede, tudo está conectado, através de uma conectividade transversal e planetária em que tudo se comunica por meio desta rede: pessoas, cidades, celulares, máquinas etc. Os mais diversos objetos passam a se comunicar através da rede, através da conexão à internet.[2] Esta conectividade permite o aumento e o compartilhamento da produção das mais diversas informações.
A reconfiguração social, cultural, econômica e política é a reconfiguração das práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem substituir seus respectivos antecedentes. Essa reconfiguração vai além da remediação de um meio sobre o outro, pois é a transformação de estruturas socias, instituições e práticas comunicacionais.[3]


Questão 5:
Caracterize a nova paisagem midiática definida por lemos e Lévy Como “pós- massiva”.
           A modificação que ocorre na comunicação está ligada a processos midiáticos que não se enquadram mais na denominação de “mídias de massa”. O que era fluxo massivo nas mídias como jornal, rádio e televisão, agora desempenha o que os autores Levý e Lemos denominam como “função pós-massiva”. Esta função é personalizável e interativa, estimulando além do consumo, a produção e a distribuição de informação através das “novas mídias” como Internet, telefone celular, microcomputadores etc, desempenhando uma função descentralizadora, uma vez que são abertas, colaborativas, interativas, dentre outras características tidas como “pós-massivas”. Esta reconfiguração da indústria cultural de massa realizada pela função “pós-massiva” causa forte impacto político e acarreta mudanças na paisagem comunicacional, conforme explicita os autores.

“Há e persistirá o modelo “informativo” “um-todos” das mídias de massa, mas crescerá o modelo “conversacional” “todos-todos” das mídias digitais e redes telemáticas. Teremos cada vez mais liberdade de escolha no consumo da informação e de estabelecimento da comunicação bidirecional, cooperativa e planetária. Ferramentas como blogs, wikis, podcasts, microblogs, softwares sociais, softwares livres, redes P2P, SMS, entre outros instrumentos de comunicação, informação, mobilização e deliberação política, mostram claramente essas funções em marcha”   (LEMOS, A. e LÉVY, P. O Futuro da Internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária, p. 47-48)

            Essas novas tecnologias de comunicação e informação irão propiciar agregação social, de vínculo comunicacional e de recombinações de informações as mais diversas sobre formatos variados, podendo ser textos, imagens fixas e animadas e sons. A cibercultura instaura uma estrutura midiática ímpar (na história da humanidade, na qual, pela primeira vez, qualquer indivíduo pode produzir e publicar informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações, adicionar e colaborar em rede com outros, reconfigurando a indústria cultural Trata-se de crescente troca e processos de compartilhamento de diversos elementos da cultura a partir das possibilidades abertas pelas tecnologias eletrônico-digitais e pelas redes telemáticas contemporâneas. Isso tudo ocorre graças a liberação do pólo de produção,  a liberação da voz que faz parte da cultura pós- massiva, com cibrcidadãos produzindo e fazendo circular cada vez mais informações. O que vemos hoje são inúmeros fenômenos sociais em que o antigo “receptor” passa a produzir e emitir sua própria informação, de forma livre e planetária, cujo sintoma é às vezes confundido com “excesso” de informação. As práticas sociocomunicacionais da internet estão aí para mostrar que as pessoas estão produzindo vídeos, fotos, música, escrevendo em blogs, criando fóruns e comunidades, desenvolvendo softwares e ferramentas da Web 2.0, trocando música etc. Essas práticas refletem a potência represada pelos meios massivos de comunicação que sempre controlaram o pólo da emissão. Editoras, empresas de televisão, jornais e revistas, indústrias da música e do filme controlam a emissão na já tão estudada cultura da comunicação de massa.[4]


Questão 7:
Distinguir “web 1.0” e “web 2.0”. Apresente exemplos comentados.
A principal diferença entre web 1.0 e web 2.0 é a interatividade do usuário com o meio (a própria web). Isso significa ver a web não como mais um programa, e sim como algo sujeito a alterações, um ambiente onde o usuário não acessa dados simplesmente, mas pode criar e editar conteúdos.[5]
A web 1.0 foi a primeira geração de internet comercial, com grande quantidade de informações disponíveis, mas seu conteúdo era pouco interativo. Era apenas mais um espaço de leitura em que o usuário ficava no papel de mero espectador da ação que se passava na página que ele visitava e não tinha autorização para alterar seu conteúdo, como por exemplo, o site www.terra.com.br, pois não é interativo e seus aplicativos são fechados, mesmo com a existência de hiperlinks. Outros exemplos de site web 1.0 são: www.marshallbrain.com e www.mirosoares.com.[6]
A web 2.0 é a chamada segunda geração da internet, fortemente marcada pela interatividade, pelos conteúdos gerados por usuários e pela personalização de serviços. Alguns exemplos de sites típicos dessa geração são os blogs (e as variações fotologs e videologs), as redes sociais e os sites de compartilhamento de arquivos.  Na web 2.0 ocorre  a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva. Permite que os usuários sejam mais que meros espectadores: eles são parte do espetáculo. Exemplo: www.wikipédia.com que permite que seus usuários efetuem mudanças. Na web 2.0 há a tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais, a sua essência é permitir que os usuários sejam mais que meros espectadores. Na web 2.0 os softwares funcionam pela Internet, não somente instalados no computador local, de forma que vários programas podem se integrar formando uma grande plataforma e os os programas são abertos, ou seja, uma parte do programa pode ser utilizado por qualquer pessoa para se fazer outro programa. Outros exemplos de site web 2.0: www.last.fm,www.flickr.com, www.youtube.com e www.myspace.com.
Interatividade do usuário com a Web 2.0



Questão 8:
O que é “inteligência coletiva” e como Lemos e Lévy situam esse conceito na cibercultura?
As novas funções pós-massivas em desenvolvimento com a computação social da Web 2.0 estão diretamente ligadas a forma emergente da cultura, na qual  o aperfeiçoamento da inteligência coletiva é o produto e o sentido da evolução cultural baseada na liberdade.[7] Embora com pouco tempo de propagação da computação social, fica evidente que podemos esperar uma melhoria crescente e evolutiva do conteúdo informacional gerado na cultura do ciberespaço[8], através do uso de redes sociais, blogs, etc, uma vez que as informações que estão no ciberespaço vem adquirindo um caráter público e global. Sendo assim, a inteligência coletiva
“É uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em mobilização efetiva das competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, senão o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.Uma inteligência distribuída por toda parte: tal é o nosso axioma inicial. Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade.” (LÉVY, P.In.:A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço)[9]
Sendo assim, a inteligência coletiva é um saber construído por vários indivíduos, com um tipo de informação que deve ser aberta a mudanças mediante debates entre os indivíduos dos ciberespaços, pelos ditos cibercidadãos que devem descobrir a pluralidade de proposições existentes na rede, possibilitando o conhecimento e a cibercultura para desenvolver essas descobertas de forma interativa e democrática.  Nos tempos atuais, um grande exemplo que temos de cibercultura interativa e com desenvolvimento da inteligência coletiva é a Wikipedia, na qual a  co-produção e a liberação da fala dos seus usuários é de grande importância para o engrandecimento dos seus diversos conteúdos, tornando-se uma espécie de enciclopédia livre da web, inclusive com livre editoração por seus leitores.






Referência bibliográfica:
LEMOS, André e LÉVY, Pierre. O Futuroda Internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010.
- LÉVY, P.In.:A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço
-http://abciber.org/publicacoes/livro1/textos/cibercultura-como-territorio-recombinante1




[1] LEMOS, André e LÉVY, Pierre. O Futuroda Internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010. p. 45.
[2] Ibdem, p. 46.
[3] Ibdem, p. 46.
[4] Ver http://abciber.org/publicacoes/livro1/textos/cibercultura-como-territorio-recombinante1/
[7] LEMOS, A. e LÉVY, P. Op. cit. p. 38.
[8] Ibdem, p. 86.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Violência doméstica

          Vi esses versos em algum lugar da web. Infelizmente não sei colocar os créditos, pois salvei as palavras mas esqueci de copiar de onde eu peguei. Mesmo com essa falha, gostaria de reproduzi-los aqui.
Abraços a quem vier dar uma olhadinha.




"Hoje meu amor veio me visitar
 E trouxe rosas para me alegrar

E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!"



          Em memória de todas as Mércias, Eloás, Elisas, Mônicas, Marias, Fernandas, Gilmaras, Renatas, Carlas etc etc etc que foram vítimas desse tipo de crime que dizem ser passional. 
          Mas o amor não faz sofrer, não transforma a pessoa amada em objeto. O sentimento de posse gera sofrimento , e quando a pessoa que acreditar ter posse sobre esse objeto percebe que perdeu o controle sobre o mesmo, resolve destruí-lo.
          A seguir, um link para um artigo jurídico sobre CRIME PASSIONAL E PRECONCEITO DE GÊNERO NA SOCIEDADE BRASILEIRA, do site Linhas Jurídicas.

http://www.linhasjuridicas.com.br/artigo.php?op=ver&id_artigo=110